Busca por bem-estar influencia comportamento do consumidor e passa a impactar desde a escolha da localização até a concepção de novos projetos residenciais
A busca por imóveis de alto padrão tem sido cada vez menos orientada apenas por fatores tradicionalmente associados ao mercado imobiliário, como metragem, acabamento ou potencial de valorização. Saúde, bem-estar e qualidade de vida vêm ganhando peso crescente na decisão de compra e influenciando o desenvolvimento de novos empreendimentos residenciais. O movimento acompanha uma tendência global. Segundo levantamento do Global Wellness Institute (GWI), referência internacional em pesquisas sobre economia do bem-estar, o mercado de empreendimentos residenciais voltados ao bem-estar ultrapassou US$ 548,4 bilhões em 2024 e deve alcançar US$ 1,1 trilhão até 2029, com crescimento médio anual de 15,2%.
No Brasil, o cenário encontra respaldo em um consumidor cada vez mais atento a fatores que impactam sua rotina e qualidade de vida. Levantamento da Brain Inteligência Estratégica aponta que 49% dos brasileiros pretendem adquirir um imóvel em 2026, sinalizando um mercado aquecido em um contexto de compradores mais atentos a atributos relacionados à conveniência, conforto e comodidade.
Na prática, a mudança demonstra transformações no comportamento de consumo observadas nos últimos anos. A maior preocupação com saúde mental, o envelhecimento populacional, a consolidação do trabalho híbrido e a revisão de prioridades no pós-pandemia ampliaram a percepção sobre o impacto da moradia na rotina.
Com isso, características antes vistas como diferenciais passaram a ser consideradas atributos estratégicos. Iluminação natural, ventilação, integração com áreas verdes, possibilidade de deslocamentos mais curtos e espaços que favoreçam convivência ou desaceleração ganharam relevância entre público de maior poder aquisitivo.
Para a diretora de empreendimentos da Consciente Construtora e Incorporadora, Camila Inácio, a mudança mostra que o mercado tem respondido a demandas mais complexas do que as observadas há alguns anos. “Existe uma mudança clara na forma como as pessoas se relacionam com a casa. O imóvel deixou de ser visto apenas como patrimônio ou endereço e passou a ser percebido também como um espaço que impacta diretamente rotina, produtividade, descanso e saúde.”
Esse novo comportamento também tem ampliado a relevância da localização dentro da equação de compra. Regiões com infraestrutura estabelecida, boa oferta de serviços, mobilidade e acesso a áreas de convivência urbana têm concentrado maior interesse em diferentes mercados.
Segundo Camila, essa mudança também tem influenciado o planejamento urbano e até a arquitetura de novos projetos. “Hoje, o mercado olha para o bem-estar de forma mais ampla. Isso envolve decisões que começam muito antes da obra, ainda na concepção do projeto, na escolha da localização e na forma como o empreendimento se integra ao entorno.”
Na avaliação da especialista, a tendência deve continuar influenciando o setor nos próximos anos, especialmente no segmento de médio e alto padrão, onde o consumidor tende a avaliar com mais profundidade aspectos ligados à qualidade de vida. “O que antes aparecia como diferencial de produto começa a se consolidar como uma demanda real de mercado”, destaca.
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